Tatuagens Mágicas – Um ato que deve ser bem pensado – Parte 1

Por sexta-feira, abril 17, 2015 0 0

O uso ritualístico de tatuagens sempre esteve presente, historicamente, entre muitos povos.

Se nos ocuparmos de estudar a história do hábito da tatuagem entre os grupamentos humanos, teremos a tatuagem ocupando diferentes funções, desde em sociedades tribais designar posição e função social de alguém, até atos ritualísticos, ritos de passagem, pactos sagrados, poderes ou simples ornamentação. A tatuagem também teve seu lugar como marca de discriminação social, marca e vergonha ou indicação de ser escravo, de ser criminoso, se ser pertencente a um grupo social que deveria ser discriminado. Dessa simples digressão histórica se conclui que a tatuagem ocupou e ocupa fins diversos em culturas diferentes, com menor ou maior grau de importância, que só pode ser compreendido dentro de cada cultura.

Hoje, a sociedade ocidental acolheu a tatuagem como um hábito comum e até valorizado, mas no tempo de meus avós ( ou seja, na primeira metade do século XX) ter tatuagem no Brasil ou significava que você era marinheiro, ou ladrão ou prostituta. E quem ousava usar a tatuagem como simples ornamentação arcava com essa visão que vinha acompanhada de preconceito e problemas sociais. Gente tatuada não conseguia emprego, não era bem vista pelos amigos, as pessoas tinha que esconder suas tattoos. Notem: não faz tanto tempo assim… é um piscar de olhos em termos de história.

A partir das décadas de 70 e 80 do século XX, no Brasil, a tatuagem foi sendo um hábito cada vez mais comum, primeiro popularizado pelos hippies e surfistas, depois atingindo maiores camadas da população. O preconceito foi minimizado, mas ainda hoje existe. A partir da última década do século XX, ser tatuado passou a significar ser descolado, e a ornamentação antes tão estigmatizada, passou a ser valorizada.

Hoje as pessoas se tatuam por diversos motivos: valorização e embelezamento estético, marcar que pertencem a um determinado grupo social, agredir padrões conservadores, expressar ideologias, disfarçar cicatrizes e outros sinais do corpo, tatuar em conjunto para expressar amizade, homenagear seus ídolos,  lembrar da família, romances, curas, passagens difíceis da vida e sua superação, há até os que tatuam o luto que sofreram perpetuando na tattoo sua saudade.

Quando um de nós que está no caminho wiccaniano resolvemos fazer uma tatuagem para fins mágicos, temos que ter presente que esse tipo de magia é um dos mais graves e mais poderosos que qualquer pessoa pode fazer. Logo, esse ato não pode ser leviano, encarado como se se tratasse apenas de algo estético, nem como um simples ato genérico. Também não pode ser feito impulsivamente, muito menos deve ser dedicado a uma divindade que você mal acabou de conhecer.

Arrisco afirmar que depois do ato iniciático e de alguns poucos pactos mágicos (como os de coven) tatuar-se com fins mágicos  é o terceiro ato mais grave que qualquer pessoa pode fazer em sua vida na Arte. O primeiro seria iniciar-se, ou seja, ingressar inexoravelmente na Arte. O segundo seria pertencer a um grupo de prática do Craft. O terceiro seria a tatuagem sagrada.

Imagino muita gente lendo este texto e dizendo: “Nossa Mavesper, que exagero!”. Mas, feliz ou infelizmente, essa afirmação não é exagero nenhum: é uma simples expressão da realidade.

Tatuar-se é inscrever na sua carne e no seu sangue alguma coisa. É fazer uma união energética profundíssima com o símbolo e seu significado insculpida na sua carne e sangue, na sua dor e sacralizada por tudo isso. Não existe nenhuma magia mais poderosa que a magia da carne, do sangue e da dor, a não ser  a magia do amor.

Nossas listas e comunidades estão repletas de pessoas novatas dizendo coisas como “Sonhei duas vezes com a Deusa X, vou tatuar seu símbolo  tal amanhã, estou super ansioso!”.

Quando eu leio essas coisas eu me pergunto: “Será que essa pessoa sabe mesmo o que isso significa e que mudanças ela vai acarretar para o curso da sua vida com tal ato?”

No mais das vezes eu acho que a pessoa não sabe. Está entusiasmada, está animada e quer se tatuar. Ponderação, meditação, reflexão, calma, tempo de conexão a respeito… nada disso está em discussão. O que realmente importa é “Eu quero me tatuar já!”.

Bom, para essas pessoas e para todas as outras que, mesmo não afobadas, também podem cometer erros de que se arrependerão muito depois, eu ofereço alguns conselhos. Conselhos esses vindos da minha própria vivência (eu tenho duas tatuagens ritualísticas) e da observação e acompanhamento de outras pessoas – tanto das que fizeram isso direito, quando das que fizeram errado.

Espero que essas ponderações ocupem a reflexão de todos os neo-pagãos que forem se tatuar magicamente.

Amanhã, no Blog, darei continuidade a postagem, falando sobre parâmetros para tratar de tatuagens mágicas.

 

Abençoados Sejam!
Mavesper Cy Ceridwen

Mavesper Cy Ceridwen

Mavesper Cy Ceridwen

Sou bruxa e sacerdotisa wiccaniana há mais de 22 anos, militante em defesa do Estado laico e direitos humanos. Terapeuta de cristais, taróloga, teáloga, terapeuta xamânica. Amo cães,especialmente poodles e pomeranians. Viciadíssima em seriados e , me aventurando na gastronomia.

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